The real first hunt – Parte 01
28/05/2010 Deixe um comentário
A pouca luz que iluminava o armazém vinha das janelas altas e das lanternas que carregavam. Olivia tinha sido clara: precisavam ser furtivas, pois policiais ainda vigiavam o local. Angela bem que tentou, mas enquanto tentava olhar o caminho à frente, tropeçou em uma viga de madeira que cruzava o armazém. Mesmo no escuro, sentiu o olhar repreenssivo de Olivia.
- Você quer mesmo que sejamos presas, não é?
- Eu não vi, porcaria. – falou, enquanto se recompunha. – E aqueles policiais estão ocupados demais com as rosquinhas deles.
- Continue assim e você vai conseguir matar nós duas. Venha, levante-se.
O corpo havia sido encontrado no andar de cima, a área de repouso dos funcionários. Os jornais disseram que foi um crime brutal, e suspeitavam de um serial killer. Angela, entretanto, tinha outras suspeitas. Os ataques sempre à lua cheia indicavam um outro tipo de aberração.
- Chegamos, mocinha. Agora eu preciso dos seus olhos bem atentos, e seu cérebro funcionando. Me diga o que diabos houve aqui.
Prendeu os cabelos ruivos num rabo de cavalo improvisado e retirou a câmea fotográfica da mochila. O flash do aparelho a permitia ver melhor os detalhes da cena, e assim que a ligou, preferia não ter visto. Sangue seco pelas paredes e poucos móveis da sala. Uma cômoda havia sido arremessada contra a parede, e jazia espatifada. No chão, uma poça de sangue crescia pelo LCD da câmera. Segurando o jantar no estômago, Angela apontou o óbvio:
- Ela morreu ali.
- Mantenha a comida no lugar, Angie. Nós ainda vamos dar um jeito de investigar o corpo.
Mas Angela já não ouvia. Com cuidado, vestiu as luvas de látex que acompanhavam seu kit de investigação criminal. Não se preocupou em ligar o EMF – sabia que ali não encontraria ondas eletromagnéticas, mas sim outros tipos de amostras. Andou até os pedaços da cômoda e os separou com cuidado: uma pessoa normal não teria condições de arremessar o móvel daquele jeito. Separando metodicamente os pedaços, a jovem pôde remontar bem a marca de garras.
Voltou o olhar para o resto do cômodo. Não havia sinais claros de arrombamento, mas definitivamente uma luta brutal acontecera ali. Uma mesa de metal virada, cadeiras quebradas por impacto, uma cama totalmente desfeita. Entretanto, os degraus da escada estavam intactos, sem rastros ou vestígios de sangue.
Olhou as janelas de madeira e no parapeito, viu a evidência que queria: uma leve marca de sangue, como se alguém tivesse pulado de lá. Olhou para o chão conforme os óculos escorregavam pelo nariz. Era uma queda e tanto. Não foi um ataque casual; o rapaz que morreu não a uma vítima aleatória. O lugar era afastado de tudo, ninguém ouviria gritos ou sons de luta.
- É o nosso cara, CSI Spica? – a ironia de Olivia a tirou dos pensamentos e teorias. Mas pensando bem, gostaria de ter um ar de Grissom.
- Onde está o corpo, você sabe?
- Na perícia, imagino. Ou no departamento legal. Por quê?
A jovem olhou preocupada, ajeitando os óculos.
- São dois deles. E nosso morto deve estar acordando agora.
