The real first hunt – Parte 01

A pouca luz que iluminava o armazém vinha das janelas altas e das lanternas que carregavam. Olivia tinha sido clara: precisavam ser furtivas, pois policiais ainda vigiavam o local. Angela bem que tentou, mas enquanto tentava olhar o caminho à frente, tropeçou em uma viga de madeira que cruzava o armazém. Mesmo no escuro, sentiu o olhar repreenssivo de Olivia.

- Você quer mesmo que sejamos presas, não é?
- Eu não vi, porcaria. – falou, enquanto se recompunha. – E aqueles policiais estão ocupados demais com as rosquinhas deles.
- Continue assim e você vai conseguir matar nós duas. Venha, levante-se.

O corpo havia sido encontrado no andar de cima, a área de repouso dos funcionários. Os jornais disseram que foi um crime brutal, e suspeitavam de um serial killer. Angela, entretanto, tinha outras suspeitas. Os ataques sempre à lua cheia indicavam um outro tipo de aberração.

- Chegamos, mocinha. Agora eu preciso dos seus olhos bem atentos, e seu cérebro funcionando. Me diga o que diabos houve aqui.

Prendeu os cabelos ruivos num rabo de cavalo improvisado e retirou a câmea fotográfica da mochila. O flash do aparelho a permitia ver melhor os detalhes da cena, e assim que a ligou, preferia não ter visto. Sangue seco pelas paredes e poucos móveis da sala. Uma cômoda havia sido arremessada contra a parede, e jazia espatifada. No chão, uma poça de sangue crescia pelo LCD da câmera. Segurando o jantar no estômago, Angela apontou o óbvio:

- Ela morreu ali.
- Mantenha a comida no lugar, Angie. Nós ainda vamos dar um jeito de investigar o corpo.

Mas Angela já não ouvia. Com cuidado, vestiu as luvas de látex que acompanhavam seu kit de investigação criminal. Não se preocupou em ligar o EMF – sabia que ali não encontraria ondas eletromagnéticas, mas sim outros tipos de amostras. Andou até os pedaços da cômoda e os separou com cuidado: uma pessoa normal não teria condições de arremessar o móvel daquele jeito. Separando metodicamente os pedaços, a jovem pôde remontar bem a marca de garras.

Voltou o olhar para o resto do cômodo. Não havia sinais claros de arrombamento, mas definitivamente uma luta brutal acontecera ali. Uma mesa de metal virada, cadeiras quebradas por impacto, uma cama totalmente desfeita. Entretanto, os degraus da escada estavam intactos, sem rastros ou vestígios de sangue.

Olhou as janelas de madeira e no parapeito, viu a evidência que queria: uma leve marca de sangue, como se alguém tivesse pulado de lá. Olhou para o chão conforme os óculos escorregavam pelo nariz. Era uma queda e tanto. Não foi um ataque casual; o rapaz que morreu não a uma vítima aleatória. O lugar era afastado de tudo, ninguém ouviria gritos ou sons de luta.

- É o nosso cara, CSI Spica? – a ironia de Olivia a tirou dos pensamentos e teorias. Mas pensando bem, gostaria de ter um ar de Grissom.
- Onde está o corpo, você sabe?
- Na perícia, imagino. Ou no departamento legal. Por quê?

A jovem olhou preocupada, ajeitando os óculos.

- São dois deles. E nosso morto deve estar acordando agora.

Caso Wendigo

Por Angela Spica

1. Universidade de Yale, New Haven, NY.

•    Manifestou-se em um pequeno vilarejo próximo à reserva indígena de Genaseo, mais exatamente no alojamento de pesquisa da universidade de Yale.
•    Matou, de maneira brutal e violenta, quase toda a equipe de pesquisa. Os corpos foram devorados parcialmente, e boa parte deles estava desaparecido – mas a quantidade de sangue no lugar não deixava dúvidas de que estivessem mortos.  Houve uma sobrevivente: eu.
•    Os locais atribuíram o ataque a animais selvagens, alegando que esses acontecimentos não eram tão raros assim. Foram feitas pesquisas nos jornais mais antigos da cidade e descobriu-se que havia um padrão: os ataques aconteciam no ciclo de 10 anos.
•    Foi coletado material para análise genética posterior (saliva encontrada nos pedaços de corpos das vítimas). Depois da análise, descobriu-se um DNA muito próximo ao de um ser humano, mas com diferenças significantes. Os dados foram arquivados para uma possível análise comparativa posterior.

2.    Reserva Genaseo – não muito distante do vilarejo

Wendigo•    A atual localização do vilarejo era parte, há muito, de uma grande comunidade indígena. Houve intervenção governamental e as terras reservadas foram diminuídas. Imaginou-se que alguém poderia saber de alguma coisa na reserva propriamente dita.
•    Conversas com os índios (Matt principalmente; seu nome indígena era quase impronunciável, preferi usar o nome com o qual ele se identificou nos registros da reserva) mencionaram o wendigo: um ser humano que, em situações desesperadoras, foi obrigado a cometer canibalismo (normalmente essas coisas acontecem no inverno). O ato deixou-o louco, e também o fez adquirir capacidades sobre-humanas (força e agilidade descomunais, e, de acordo com os relatos, a capacidade de imitar as vozes daqueles que foram devorados).
•    Matt convenceu outros guerreiros de sua tribo a se juntarem e destruírem, por fim, a criatura.

3.    Plano de Ação

•    Eu servi de isca para a criatura – situação muito desconfortável, vale salientar. O wendigo é uma criatura que hiberna, e se não fosse feito logo, ele tornaria ao estado de hibernação. Eu, junto com Matt e um outro habitante da aldeia, fizemos um acampamento para atraí-lo.
•    Os outros membros ficaram à espreita, esperando. A criatura se aproximou pela copa das árvores e me agarrou pelos braços – o que me rendeu alguns arranhões, nada demais. Os outros então atiraram-lhe fogo com tochas e lança-chamas improvisados e depois de muita luta, conseguiram destruir a criatura.
•    Os índios não me permitiram tirar nenhuma foto, mas eu gravei um vídeo discretamente com o celular. Deverá ser arquivado para referências posteriores.

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